As matriculações de veículos eletrificados — elétricos puros e híbridos plug-in — cresceram 56,4% no primeiro trimestre de 2026, ultrapassando as 70.000 unidades, segundo dados da Aedive e da Ganvam. Ao mesmo tempo, o vice-presidente da Kia questionou publicamente a continuidade de várias marcas chinesas na Europa nos próximos anos, criando incerteza quanto ao fornecimento de peças para esses modelos. A recambiofacil analisa as implicações para a cadeia de pós-venda.
- Crescimento do parque eletrificado: 70.218 unidades no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 56,4% face ao mesmo período de 2025, segundo Aedive e Ganvam.
- Efeito fiscal em Espanha: a recuperação da dedução de 15% no IRS espanhol impulsionou 83% as compras de particulares em março.
- Risco de fornecimento: caso marcas chinesas abandonem o mercado europeu, as oficinas que trabalham com esses modelos poderão ter dificuldades em obter peças originais e equivalentes.
- Quota com ficha: 20% dos ligeiros matriculados em Espanha em março corresponde a um modelo com plug.
- Horizonte PNIEC: o Plano Nacional Integrado de Energia e Clima de Espanha prevê 5,5 milhões de veículos elétricos até 2030, com impacto direto na procura de peças e serviços.
Primeiro trimestre com números históricos
As matriculações de veículos eletrificados — categoria que inclui os 100% elétricos (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV) — fecharam o primeiro trimestre de 2026 com 70.218 unidades registadas em Espanha, o que representa um aumento de 56,4% face ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Aedive e da Ganvam.
Apenas em março foram registadas 29.745 matriculações deste tipo de veículos, mais 62,5% do que em março de 2025. A Aedive e a Ganvam atribuem parte deste crescimento ao facto de o mês ter tido um dia útil adicional, mas também à recuperação da dedução de 15% no IRS espanhol, que impulsionou 83% as compras de particulares nesse mês.
O que significa para as oficinas independentes
O crescimento sustentado do parque eletrificado altera diretamente os padrões de manutenção. Os BEV exigem menos intervenções no motor e na caixa de velocidades, mas aumentam a procura de revisões aos sistemas de travagem regenerativa, baterias de 12V auxiliares, pneus — sujeitos a maior desgaste pelo binário instantâneo — e atualizações de software mediante ferramentas de diagnóstico compatíveis.
Os PHEV, por sua vez, combinam as necessidades do veículo de combustão convencional com as da eletrificação, exigindo formação específica e acesso a componentes de dupla natureza. A oficina que não atualizou a sua capacidade técnica nem o seu catálogo de fornecedores arrisca perder operações de manutenção que hoje já são rotineiras em muitas frotas e no canal de particulares.
O fator marcas chinesas: risco de descontinuação
O vice-presidente da Kia declarou publicamente que não pode garantir que todas as marcas chinesas atualmente presentes na Europa continuem a operar no mercado num prazo de dois a cinco anos. Esta avaliação introduz um elemento de incerteza relevante para a cadeia de pós-venda: os distribuidores de peças e as oficinas que incorporaram modelos destas marcas na sua carteira de trabalho poderão enfrentar interrupções no fornecimento de peças caso algum destes fabricantes reduza ou cancele a sua atividade na Europa.
A experiência com outras marcas que abandonaram abruptamente o mercado europeu mostra que o abastecimento de peças de substituição se complica num prazo de doze a trinta e seis meses após a cessação de operações. Para a oficina independente, isto não é apenas um problema de disponibilidade de peças; afeta também a rentabilidade das reparações e a capacidade de oferecer garantias sobre os trabalhos realizados.
Preparação do setor de pós-venda
A Aedive e a Ganvam pediram às administrações que complementem as medidas fiscais com incentivos específicos para a eletrificação de frotas, um segmento que concentra uma parte significativa das operações de manutenção no canal profissional. Se a eletrificação de frotas se acelerar, os distribuidores de peças terão de antecipar a rotação de componentes específicos de BEV e PHEV, e as oficinas terão de adaptar a sua infraestrutura técnica para não ficarem de fora desse mercado.

