Oficina espanhola perante o crescimento da pós-venda

Solera: a pós-venda em Espanha aponta para ~23.000 milhões em 2035 (+34%)

A pós-venda automóvel em Espanha poderá crescer 34% na próxima década até rondar os 23.000 milhões de euros, segundo estimativas apresentadas pela Solera no âmbito da Faconauto 2026. O dado é relevante porque combina três fatores que mexem com o dia a dia da oficina: preços de peças, dimensão do parque e evolução do mix de mão de obra.

Resumo executivo:

  • +34% de faturação potencial: de ~17.000 M€ para ~23.000 M€ até 2035.
  • Peças como motor: encarecimento acumulado e maior peso na fatura final.
  • Mais parque, mais entradas: crescimento do parque e +2 milhões de reparações/ano estimadas.
  • Mix atual de receitas: as peças concentram a maior parcela, à frente da mão de obra.
  • Eletrificação e complexidade: mais diagnóstico e processos que valorizam a intervenção.

O que foi apresentado e porque altera o referencial

O relatório “La posventa (in)sostenible”, divulgado durante a Faconauto 2026 (Madrid), coloca números numa tendência já sentida pelo setor: o negócio mantém-se, mas a composição muda. A previsão aponta para uma faturação agregada na órbita dos 23.000 milhões de euros em 2035, face a cerca de 17.000 milhões atualmente, apoiada em dinâmicas de preço e de parque.

Duas alavancas quantificadas: preço das peças e dimensão do parque

Um elemento direto é o preço das peças. O encarecimento acumulado nos últimos anos e a sua transferência parcial para a fatura explicam parte do crescimento previsto. Em paralelo, o parque funciona como “multiplicador”: mais viaturas em circulação significam mais intervenções potenciais. A estimativa associada ao cenário de parque é clara: mais de dois milhões de reparações adicionais por ano face ao nível atual.

Como pode afetar a rentabilidade da oficina

Crescimento de mercado não significa automaticamente melhores margens. Se as peças pesam mais em valor, a gestão de compras, devoluções e disponibilidade torna-se crítica; e se a mão de obra ganha relevância com eletrificação, ADAS e eletrónica, o estrangulamento será produtividade por hora e qualificação. Na prática, vence quem controla tempos (diagnóstico, processos e qualidade) e reduz retrabalho.

Implicações para distribuição, logística e capacidade

Para o canal de peças, um parque maior combinado com inflação exige afinação de stock e cobertura de referências. Para a oficina, a leitura é de capacidade: agenda, ferramentas de diagnóstico, protocolos de segurança em viaturas eletrificadas e formação contínua.

Riscos e variáveis que podem alterar o cenário

O cenário depende da evolução da inflação das peças, da disponibilidade de técnicos, da idade média do parque e do ritmo real de eletrificação. Ainda assim, a mensagem é acionável: a próxima década recompensa quem profissionaliza gestão de peças, processos e talento.

Fontes

André Ferreira Capelo
André Ferreira Capelo

Profissional com sólida experiência na gestão de stock e forte visão estratégica, focado no crescimento de empresas B2B no mercado digital e online. Especialista em e-commerce, otimização de processos comerciais e implementação de soluções tecnológicas, com orientação para resultados e estratégias de crescimento empresarial no setor automóvel.

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