O governo do Reino Unido confirmou a introdução de um novo imposto baseado na quilometragem percorrida por veículos elétricos e híbridos plug-in a partir de abril de 2028, o eVED. Depois de uma consulta pública com mais de 5 mil respostas, o executivo britânico suavizou algumas das propostas iniciais, segundo o electrive.com, mas as associações de aluguer de frotas e de condutores de elétricos mantêm críticas ao momento escolhido para a medida. A recambiofacil detalha o que muda.
- Novo imposto confirmado: o eVED (Electric Vehicle Excise Duty) entra em vigor em abril de 2028, cobrando um valor por quilómetro percorrido a veículos elétricos e híbridos plug-in.
- Consulta pública alargada: a proposta esteve em consulta entre novembro de 2025 e março de 2026, com mais de 5 mil respostas recebidas, segundo o electrive.com.
- Recuo do governo: o executivo britânico abandonou a exigência de verificações adicionais de quilometragem para veículos com menos de três anos, que ainda não estão sujeitos à inspeção técnica anual (MOT).
- Opção voluntária: os condutores poderão submeter dados de quilometragem diretamente através da conectividade do próprio veículo, numa alternativa não obrigatória.
- Simplificação para frotas: as empresas gestoras de frotas poderão apresentar estimativas de quilometragem centralizadas, em vez de depender de declarações individuais de cada condutor.
- Críticas do setor: a BVRLA e a EVA England consideram que a medida chega no momento errado e que o sistema continua demasiado complexo para os condutores.
O que é o eVED e quando entra em vigor
O eVED, ou Electric Vehicle Excise Duty, é um novo imposto que o governo do Reino Unido confirmou aplicar a partir de abril de 2028, cobrando um valor por quilómetro percorrido a veículos elétricos e híbridos plug-in, segundo jornaldasoficinas.com. A justificação oficial, citada pelo electrive.com, aponta para a queda progressiva da receita do imposto sobre combustíveis à medida que a adoção de elétricos avança, com uma tendência para essa receita se aproximar de zero até 2050. O Tesouro britânico sublinha que “enquanto os condutores de veículos a gasolina e gasóleo contribuem para as finanças públicas através do imposto sobre combustíveis, um imposto baseado em quanto conduzem, os utilizadores de veículos elétricos não pagam atualmente um imposto equivalente baseado no uso.”
Uma consulta pública que suavizou a proposta inicial
Segundo o electrive.com, a proposta esteve em consulta pública entre novembro de 2025 e março de 2026, recebendo mais de 5 mil respostas. Na sequência dessa consulta, o governo decidiu não avançar com a exigência inicial de verificações adicionais de quilometragem para veículos elétricos e híbridos plug-in com menos de três anos, uma vez que estes ainda não estão sujeitos à inspeção técnica anual obrigatória (MOT). O próprio resumo executivo do governo citado pelo electrive.com refere que “o governo não irá avançar com o requisito proposto de verificações adicionais de quilometragem para veículos com menos de três anos.”
Uma opção voluntária e simplificações para frotas
O sistema passa a incluir uma opção voluntária, não obrigatória, através da qual os condutores podem submeter os dados de quilometragem diretamente através da conectividade integrada do veículo. Para as frotas, o electrive.com detalha uma simplificação relevante: os operadores poderão apresentar estimativas de quilometragem geridas de forma centralizada, em vez de depender de declarações individuais de cada condutor, além de poderem efetuar pagamentos de regularização antes de vender um veículo fora da frota. Segundo o governo, esta funcionalidade “permitirá às frotas gerir a estimativa de quilometragem de forma centralizada, eliminando a dependência do condutor, um pedido central nas respostas à consulta.”
Reações divididas do setor
Toby Poston, diretor executivo da associação britânica de aluguer e leasing de frotas (BVRLA), que tinha estimado em cerca de 260 milhões de libras por ano o custo de conformidade da proposta inicial para o setor de frotas, reconheceu os ajustes mas manteve a oposição à medida: “É positivo que o governo tenha suavizado algumas das arestas mais duras do plano do eVED. Mas não há como escapar ao facto de que não se pode criar uma transição suave para os veículos elétricos tornando-os mais caros de possuir. A mecânica do imposto melhorou, mas o momento continua errado.” Vicky Edmonds, presidente da EVA England, associação de condutores de veículos elétricos, foi mais crítica: “Esta política ainda não funciona para os condutores. O esquema continua demasiado complexo, arrisca deixar as pessoas com prejuízo financeiro e não dá aos condutores a confiança de que precisam.” O governo prevê investir mais de 7,5 mil milhões de libras em medidas de apoio à mobilidade de emissões zero na próxima década, parcialmente financiadas pela receita reinvestida do próprio eVED.

