Conetor de carga elétrica laranja em mão com luva em oficina

O veículo elétrico atinge quase 20% das matriculações europeias: o que implica para a pós-venda

O carro elétrico representou quase 20% das matriculações na Europa no último período analisado, segundo dados publicados pelo portal setorial Autopos. O número, que consolida uma tendência de crescimento sustentado, tem implicações diretas sobre a procura futura de peças: o perfil de desgaste de um veículo eletrificado não é igual ao de um veículo térmico, e as oficinas independentes devem adaptar a sua oferta e capacitação técnica em conformidade.

  • Quota de mercado: o veículo elétrico aproxima-se dos 20% das matriculações europeias, consolidando a sua presença no parque circulante com efeito diferido na procura de peças.
  • Peças que diminuem: os componentes ligados ao motor de combustão (filtros de óleo, velas, correias de distribuição) terão menor procura à medida que cresça a proporção de BEV no parque.
  • Peças que aumentam ou se mantêm: pneus e travões, bem como componentes elétricos e de climatização, ganham peso no mix de reparações.
  • Janela de oportunidade: o parque de veículos PHEV e híbridos convencionais representa o maior volume de manutenção mista para oficinas independentes nos próximos anos.

A penetração do elétrico na Europa: leitura para a pós-venda

Os dados publicados pelo Autopos revelam que o carro elétrico rozou os 20% das matriculações europeias no período mais recente. O número é relevante, mas a sua leitura a partir da pós-venda exige contexto: as matriculações de hoje convertem-se em parque circulante em três, cinco ou dez anos, quando os veículos começam a necessitar de peças e reparações fora da garantia do fabricante.

A Volkswagen alargou a sua gama de veículos comerciais eletrificados, posicionando-se segundo dados do setor como um dos fabricantes com maior diversidade de oferta neste segmento. Isto tem especial relevância para as oficinas que prestam serviço a frotas de veículos comerciais ligeiros, onde a transição para propulsão elétrica está a ser especialmente ativa.

Que peças perderão procura

A eletrificação erode diretamente a procura de um grupo específico de componentes: tudo o que está ligado ao motor de combustão interna e ao seu trem cinemático. Filtros de óleo, velas, injetores, correias e correntes de distribuição, embraiagens mecânicas, catalisadores e filtros de partículas são peças que um veículo 100% elétrico não precisa.

O impacto não é imediato: o parque existente é maioritariamente térmico e continuará a sê-lo durante anos. Mas os distribuidores que gerem o seu catálogo com visão a médio prazo devem incorporar a variável da eletrificação nas suas decisões de aprovisionamento, evitando sobreprovisionamento em peças cuja rotação irá diminuindo.

Que peças se mantêm ou crescem

Pneus, travões, amortecedores e componentes de direção não desaparecem com a eletrificação. De facto, os veículos elétricos são em geral mais pesados do que os seus equivalentes térmicos, o que aumenta o desgaste de pneus e — com matizes — de travões. A travagem regenerativa reduz a frequência de substituição de pastilhas em utilização habitual, mas não a elimina.

Os componentes específicos dos sistemas de propulsão elétrica — módulos de bateria, inversores, motores elétricos, carregadores de bordo — necessitarão no futuro de reparação ou substituição, mas continuam a ser maioritariamente intervenções da rede oficial ou de oficinas especializadas. A climatização de alta eficiência (bombas de calor, sistemas de gestão térmica de bateria) abre oportunidades para oficinas com formação específica.

PHEV e híbrido: o volume mais acionável a curto prazo

O segmento com maior impacto imediato para a oficina independente não é o BEV puro, mas os veículos híbridos plug-in (PHEV) e híbridos convencionais (HEV). Estes veículos combinam motor térmico e elétrico, o que mantém a procura de peças tradicionais ao mesmo tempo que introduz componentes de alta tensão que requerem formação e equipamento específicos.

Para uma oficina que pretenda posicionar-se neste segmento em crescimento, o investimento prioritário passa pela certificação em trabalhos de alta tensão e pela atualização dos equipamentos de diagnóstico para gerir veículos com arquiteturas elétricas de 48V ou superiores.

Fontes

Santiago Oliveira
Santiago Oliveira

Sou um profissional orientado a detalhes e comprometido com a melhoria contínua, especializado em garantir altos padrões de qualidade e em construir relacionamentos sólidos e duradouros com os clientes. Meu foco está em entender profundamente as necessidades do usuário, identificar oportunidades de melhoria e acompanhar as equipes rumo à excelência operacional.

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