Em maio de 2026, a Nexus Automotive International formalizou a criação da Nexus Iberia, a sua décima sexta estrutura regional, integrando seis grupos de distribuição de peças de Espanha e Portugal: AGR, ASER, HolyAuto, Serca, Urvi e Recalvi Parts. Movimentos como este mostram até que ponto o mercado aftermarket, o das peças que não vêm diretamente do fabricante do veículo, está em plena consolidação. Mas o que é, exatamente, uma peça aftermarket, em que se diferencia de uma peça original (OEM) e o que deve verificar uma oficina antes de a instalar?
O que é o mercado aftermarket (IAM) na automoção
O aftermarket é o mercado global de peças fabricadas e comercializadas depois da venda original do veículo, à margem da linha de montagem do construtor. Dentro deste mercado, o IAM (Independent Aftermarket) reúne os fabricantes que não fornecem diretamente à linha de montagem, muitas vezes através de engenharia inversa sobre a peça original.
Isto contrasta com a peça OE (Original Equipment), instalada de fábrica e fabricada com as tolerâncias exatas de design do construtor, e com a OEM (Original Equipment Manufacturer): o mesmo fabricante de componentes que fornece as marcas de veículos (Bosch, Denso, Valeo, Magneti Marelli, entre outros) e que destina também parte da sua produção ao mercado aftermarket, com embalagem e referência próprias, diferentes da referência OEM.
Diferenças técnicas e de preço face à peça original
A peça OEM cobre todas as peças de um veículo. O aftermarket, pelo contrário, concentra-se sobretudo nas peças de maior rotação ou desgaste, ou seja, aquelas com procura suficiente para que valha a pena fabricá-las fora da linha de montagem original.
Quanto ao preço, o aftermarket costuma ser mais económico por não depender do canal de distribuição oficial da marca do veículo. Ainda assim, dentro do próprio mercado aftermarket existem diferentes níveis de qualidade, desde fabricantes de primeiro equipamento até cópias de material original, o que influencia diretamente o preço final e explica por que duas peças “equivalentes” podem ter custos muito diferentes.
Como validar a compatibilidade com o número de bastidor (VIN)
Como uma peça aftermarket tem uma referência própria, diferente da OEM, a forma mais fiável de confirmar que encaixa num veículo concreto é partir do número de bastidor (VIN). Este código de 17 carateres identifica o fabricante e o país (WMI, os três primeiros carateres), descreve o modelo e o motor (VDS, carateres 4 a 8) e inclui um dígito de controlo que permite verificar que não foi transcrito incorretamente.
Ao descodificar o VIN obtém-se o ano, a motorização e o equipamento exato de fábrica, o que permite comparar essa informação com a ficha técnica da peça aftermarket (dimensões, materiais, aplicações) antes de comprar. Nem todas as correspondências entre catálogos são sempre compatíveis, por isso, perante qualquer dúvida sobre uma motorização ou um nível de equipamento concreto, o mais seguro é confirmar com o fabricante ou o fornecedor antes de instalar a peça.
Certificações de qualidade: o que se pode confirmar antes de comprar
Não existe um selo único que certifique todo o mercado aftermarket da mesma forma. Muitos fabricantes têm certificações de qualidade de aplicação geral na indústria, como a ISO 9001 em gestão da qualidade, mas o certificado exato, o seu alcance e se se aplica a uma peça em concreto dependem de cada fabricante e categoria de produto. Antes de comprar, o recomendável é rever a documentação técnica fornecida pelo próprio fabricante ou distribuidor para essa referência específica, em vez de assumir uma certificação genérica.
Aftermarket e garantia oficial: o que diz o Regulamento 461/2010
O Regulamento 461/2010 da Comissão Europeia estabelece que as condições de garantia de um veículo não podem ser afetadas pelo facto de a manutenção ser feita numa oficina independente. Para que isto se aplique, é necessário cumprir várias condições: seguir exatamente o manual de manutenção do fabricante (intervalos de óleo, filtros, revisões programadas), utilizar peças de qualidade equivalente às de série, e conservar as faturas das manutenções realizadas, já que o fabricante pode pedi-las para permitir o uso da garantia depois de se ter recorrido a uma oficina de terceiros.
Aftermarket e a normativa da ITV em Espanha
Em Espanha, substituir uma peça por um equivalente aftermarket que mantém as características homologadas do veículo (as mesmas prestações, dimensões e função) não exige nenhum trâmite adicional perante a ITV (Inspeção Técnica de Veículos). A situação muda quando a peça representa uma reforma face à ficha técnica original, ou seja, quando altera as características homologadas do veículo: nesse caso, a ITV exige um relatório de conformidade com o respetivo código de reforma, uma referência à senha de homologação da ficha reduzida original e, por vezes, a apresentação pessoal do titular com toda a documentação.
Para as oficinas e profissionais que trabalham com os dois tipos de peça, cruzar a referência OEM com o seu equivalente aftermarket através de uma base de dados fiável continua a ser o passo que mais reduz o risco de uma peça incorreta, tanto por motivos de compatibilidade como de garantia.
Fontes
- https://www.posventa.info/texto-diario/mostrar/5863895/nexus-automotive-international-crea-nexus-iberia
- https://mundorecambio.info/nexus-a-i-oficializa-nexus-iberia/
- https://www.motor.es/noticias/garantia-valida-taller-independiente-marcas-no-te-cuentan.html
- https://itv.com.es/como-homologar-piezas-coche-itv

