Marcas chinesas em Espanha: impacto nas oficinas e recambios

Marcas chinesas em Espanha: o que significa para oficinas e distribuidores de recambios a mudança no parque automóvel

Um estudo recente revela que metade dos condutores espanhóis considera comprar um veículo de marca chinesa na sua próxima aquisição. O crescimento do parque automóvel com modelos de origem asiática terá consequências directas sobre a procura de recambios, os processos de diagnóstico e a estrutura de aprovisionamento no sector IAM.

  • Intenção de compra: um em cada dois condutores em Espanha já avalia um veículo de marca chinesa, segundo dados publicados pela imprensa sectorial.
  • Impacto nos recambios: a entrada de modelos como Omoda e Jaecoo no parque automóvel exige novas referências, catálogos actualizados e acordos com fornecedores de peças compatíveis.
  • Desafio para a oficina independente: o diagnóstico de plataformas técnicas chinesas requer actualização de ferramentas e acesso a dados técnicos específicos nem sempre disponíveis nos sistemas multimarca actuais.
  • Prazo real: o efeito sobre a pós-venda será visível nos próximos 24-36 meses, à medida que os primeiros veículos entrem no ciclo de manutenção fora de garantia.

A mudança de tendência que ninguém pode ignorar

Até há pouco tempo, a compra de um veículo de marca chinesa em Espanha era uma decisão marginal. Os dados publicados recentemente indicam que esta percepção mudou de forma significativa: metade dos condutores espanhóis afirma considerar já a aquisição de um automóvel de origem asiática. Marcas como Omoda e Jaecoo, com estratégias de preço agressivas e gamas que cobrem o segmento SUV de maior procura, estão a acelerar esta tendência no mercado espanhol e europeu.

Para o sector da distribuição e a oficina independente, a questão relevante não é se os carros chineses chegarão em massa, mas quando e com que velocidade afectarão a procura de recambios.

O que isto significa para a cadeia de pós-venda IAM

O primeiro impacto é de catálogo. Os modelos de origem chinesa que começam a circular em Espanha não estão integrados de forma sistemática nas bases de dados dos grandes distribuidores europeus de peças. Isto implica que, quando um veículo Omoda ou Jaecoo sai da garantia oficial, a oficina multimarca que o recebe pode encontrar-se sem referências disponíveis nas suas plataformas habituais de encomenda.

O segundo impacto é técnico. As arquitecturas electrónicas dos veículos chineses de última geração apresentam particularidades que nem sempre são cobertas pelos equipamentos de diagnóstico multimarca disponíveis no mercado europeu. O acesso aos dados técnicos de reparação (procedimentos, valores de ajuste, actualizações de software de unidades de controlo) depende de os fabricantes os disponibilizarem à rede independente, algo regulado na Europa pelo Regulamento (UE) 2018/858, mas cuja aplicação prática em marcas fora da rede convencional pode ser mais lenta.

O horizonte temporal para se preparar

Os veículos matriculados em 2024 e 2025 de marcas chinesas começarão a sair dos períodos de garantia entre 2027 e 2028. Esse é o momento em que a procura de recambios para estes modelos se transferirá para o canal IAM de forma massiva. Os distribuidores que tiverem estabelecido acordos com fornecedores de peças para marcas chinesas e as oficinas que tiverem formado o seu pessoal no diagnóstico destas plataformas estarão melhor posicionados para responder a essa procura.

Algumas associações sectoriais europeias já trabalham em protocolos para garantir o acesso técnico a estes veículos por parte da rede independente, embora o processo esteja em fases iniciais.

Fontes

André Ferreira Capelo
André Ferreira Capelo

Profissional com sólida experiência na gestão de stock e forte visão estratégica, focado no crescimento de empresas B2B no mercado digital e online. Especialista em e-commerce, otimização de processos comerciais e implementação de soluções tecnológicas, com orientação para resultados e estratégias de crescimento empresarial no setor automóvel.

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