O Arval Mobility Observatory 2026 confirma que os fabricantes de origem chinesa alcançaram uma quota de 10,5% das matriculações em Espanha durante 2025, levantando questões diretas sobre a disponibilidade de recambios e a maturidade das redes de serviço. Para oficinas e distribuidores independentes, este crescimento abre tanto oportunidades como incertezas que importa analisar com dados.
- Quota das marcas chinesas: os fabricantes chineses atingiram 10,5% das matriculações em Espanha em 2025, com penetração ainda limitada no canal de frotas pela falta de garantias em manutenção e logística de peças.
- Manutenção de frotas: os veículos corporativos vão à oficina em média duas vezes por ano; a mudança de óleo e filtros é a intervenção mais habitual (83%), seguida da mudança de pneus (49%).
- Quilometragem em alta: os veículos de empresa percorreram em média 24.700 km em 2025, com os comerciais a ultrapassar esse valor em cerca de 4.000 km adicionais.
- Manutenção preditiva: 17% dos gestores de frota já exige sistemas que agendem automaticamente as visitas à oficina segundo dados telemáticos.
- Valor residual sem referência: o desconhecimento do valor residual dos veículos chineses trava a sua adoção massiva em frotas corporativas.
O canal de frotas sob pressão com a entrada de novas marcas
O relatório anual do Arval Mobility Observatory, publicado a 7 de maio de 2026 e elaborado a partir da atividade de frotas corporativas em Espanha e outros mercados europeus, identifica a irrupção das marcas chinesas como um dos principais fatores de reconfiguração do mercado de pós-venda. Com uma quota de 10,5% das matriculações totais de ligeiros de passageiros em 2025, fabricantes como BYD, MG, Omoda ou Jaecoo consolidaram uma presença real nas estradas espanholas.
O problema para a pós-venda independente não é o volume de vendas destes veículos, mas a sua estrutura de serviço. Segundo o relatório, os gestores de frotas corporativas são especialmente exigentes quanto à disponibilidade de recambios, à capilaridade logística e à capacidade de atendimento a grandes contas. São precisamente estas três áreas onde as marcas chinesas apresentam as maiores lacunas no mercado espanhol, limitando a sua expansão no canal de renting e frotas de empresa.
Para oficinas independentes e distribuidores de recambios, este cenário tem uma leitura dupla: a curto prazo, a escassez de rede de serviço oficial pode gerar trabalho para a pós-venda independente; a médio prazo, a normalização destas marcas depende de que os fabricantes consolidem a sua cadeia de abastecimento em Espanha.
Filtros e óleo, os recambios que movem a manutenção de frotas
Para além das novas marcas, o relatório fornece dados operativos relevantes para quem trabalha com frotas corporativas. Os veículos de empresa visitam a oficina em média duas vezes por ano. A intervenção mais frequente, de forma clara, é a mudança de óleo e filtros (83% das visitas), seguida da mudança de pneus (49%).
Este dado confirma que os componentes de filtração e lubrificação são os recambios de maior rotação no segmento de frotas, uma informação com implicações diretas tanto para o stock dos distribuidores como para o planeamento de compras nas oficinas.
O aumento da quilometragem média intensifica esta procura. Em 2025, os veículos corporativos percorreram em média 24.700 quilómetros anuais, com os comerciais ligeiros a ultrapassar esse valor em aproximadamente 4.000 quilómetros adicionais. Maior rodagem implica maior frequência de substituição de óleo, filtros de óleo, filtros de ar e filtros de habitáculo.
Diagnóstico preditivo e digitalização, a próxima exigência
O relatório antecipa também mudanças na forma como os gestores de frotas interagem com a rede de oficinas. 17% dos responsáveis de frota já exige sistemas de manutenção preditiva que agendem automaticamente as visitas à oficina com base em dados de quilometragem e desgaste telemático. Outros 24% reclamam ferramentas de reporte online sobre o estado dos seus veículos.
Esta tendência aponta para uma digitalização da relação entre frota e oficina que não é opcional: as oficinas que não disponham de plataformas de gestão compatíveis com sistemas telemáticos de frota perderão contratos com contas corporativas à medida que estes requisitos se generalizem.
A eletrificação também está presente na análise. No início de 2026, o parque de veículos eletrificados em circulação em Espanha já ultrapassa as 600.000 unidades, o que começa a traduzir-se em novas necessidades de manutenção específica nas oficinas, especialmente nas zonas metropolitanas.

