Rentabilidade da oficina e controlo de gestão

CONEPA: mais atividade, mas a rentabilidade continua pressionada nas oficinas

As oficinas fecharam 2025 com mais atividade e faturação em muitas especialidades, mas a melhoria da rentabilidade foi bem mais contida. Os dados da CONEPA apontam 2026 como um ano de pressão sobre margens, falta de pessoal qualificado e maior aposta na formação.

Resumo executivo:

  • Rentabilidade:38% diz tê-la melhorado em 2025.
  • Retorno insuficiente: 51% declara pouca ou nenhuma satisfação com o retorno económico.
  • Diferença por especialidade: melhor evolução em eletromecânica e pneus do que em chapa e pintura.
  • Prioridades 2026: rentabilidade e talento lideram as preocupações (18% cada).
  • Formação em alta: 71% realizou algum curso em 2025, com mais peso para gestão.

O que dizem os dados (e o que não dizem)

A “III Encuesta de Actividad y Clima Empresarial en los Talleres Españoles” reúne respostas de 157 oficinas e analisa 2025 e expectativas para 2026, com trabalho de campo entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro.
É uma radiografia útil para identificar padrões, mas não substitui o controlo interno de cada oficina (mix de trabalhos, preços, produtividade, peças e custos).

Atividade e faturação: crescimento desigual

Na carga de trabalho, a eletromecânica destaca-se (cerca de 64% com mais trabalho), enquanto em carroçaria a melhoria existe mas é menor (cerca de 43,5%). Em pneus, também predomina a melhoria (cerca de 54,2%).
Na faturação, repete-se o padrão: 62,4% (eletromecânica), 41,6% (chapa e pintura) e 55,2% (pneus) dizem ter faturado mais.

A “paradoxo” da oficina: mais volume não garante mais margem

Na rentabilidade, 38% melhorou, 38% manteve e 24% piorou. E, ainda assim, 51% está pouco ou nada satisfeito com o retorno económico.
Na prática, isto aparece quando aumenta a complexidade técnica e sobem custos, mas a oficina não consegue refletir isso em tempos produtivos e preço final.

O que preocupa em 2026: margem, pessoas e tecnologia

As preocupações principais incluem rentabilidade (18%) e dificuldades em captar/reter pessoal qualificado (18%), seguidas do impacto das novas tecnologias (14%) e das oficinas ilegais (10%).

Formação: o indicador que mais mexe

71% refere ter feito algum curso em 2025, com destaque crescente para gestão/administração económica junto de formações técnicas (híbridos/elétricos, complexidade mecânica e carroçaria).

Fontes

André Ferreira Capelo
André Ferreira Capelo

Profissional com sólida experiência na gestão de stock e forte visão estratégica, focado no crescimento de empresas B2B no mercado digital e online. Especialista em e-commerce, otimização de processos comerciais e implementação de soluções tecnológicas, com orientação para resultados e estratégias de crescimento empresarial no setor automóvel.

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