Um relatório elaborado com dados da Faconauto, McKinsey e do World Economic Forum projeta que a margem líquida dos concessionários em Espanha poderá passar dos atuais 1,3% para 2,8% em 2030, graças à incorporação da inteligência artificial. A transformação não se limita à rentabilidade: até 22% das tarefas atuais mudarão de natureza no período 2025–2030, com efeito direto nos perfis de oficina e distribuição. A recambiofacil analisa as implicações para a cadeia de pós-venda.
- Rentabilidade projetada: a margem líquida do setor poderá superar os 2,8% em 2030, face aos atuais 1,3%, de acordo com dados da Faconauto e da McKinsey.
- Adoção acelerada: mais de 80% dos concessionários já utilizam IA ou preveem fazê-lo a curto prazo, com melhorias reportadas em receitas e eficiência operacional.
- Impacto no emprego: até 22% das tarefas atuais mudarão de natureza; entre 20% e 25% do emprego estará associado a novos perfis digitais em 2030.
- Áreas prioritárias: gestão de clientes, fixação de preços, marketing e pós-venda são os processos onde a IA já gera maior impacto operacional.
- Digitalização na oficina independente: casos como o da Manteauto em Alcalá de Henares mostram que a adoção de software de gestão está a chegar também à rede independente, com aumento da procura como resultado.
O que diz o relatório: dados e alcance
O relatório Implementação da IA em concessionários de automóveis: impacto na rentabilidade e no emprego, elaborado com dados da Faconauto, McKinsey, World Economic Forum, OCDE e Randstad, quantifica pela primeira vez o impacto potencial da inteligência artificial na distribuição automóvel em Espanha. A principal projeção é que a margem líquida do setor poderá mais do que duplicar, passando de 1,3% para 2,8% antes de 2030.
O dado de adoção reforça a tendência: mais de 80% dos concessionários já opera com IA ou prevê incorporá-la a curto prazo. Os que já a implementaram reportam melhorias simultâneas em receitas e eficiência operacional, especialmente nos processos de gestão de clientes, fixação dinâmica de preços, marketing automatizado e operações de pós-venda.
O que muda na estrutura do trabalho
O estudo projeta igualmente o impacto sobre o emprego. Até 22% das tarefas atuais em concessionários e oficinas mudarão de natureza entre 2025 e 2030, com evolução para funções ligadas à análise de dados, gestão de ferramentas tecnológicas e digitalização de processos. Em paralelo, estima-se que entre 20% e 25% do emprego total do setor estará associado a novos perfis vinculados à IA e à digitalização.
Isto implica uma necessidade de requalificação que já está a levar entidades como a Faconauto a promover programas formativos específicos. A formação afigura-se, segundo a entidade, como uma alavanca fundamental para acompanhar a transição sem perda de competitividade.
Extensão à oficina independente: o caso Manteauto
A adoção de software de gestão de oficina (DMS) não é exclusiva das grandes redes. A oficina Manteauto, em Alcalá de Henares, é um dos casos documentados de digitalização completa de processos na rede independente, implementada através da plataforma EuroTaller. O seu gerente assinala um aumento direto na procura de clientes como resultado da modernização organizativa.
O exemplo ilustra uma tendência mais ampla: a digitalização está a deixar de ser uma vantagem diferenciadora para se tornar um requisito de competitividade também para oficinas de dimensão média. Os distribuidores de recambios que abastecem estas oficinas devem considerar que os seus clientes estão em processo de transformação e que a integração de encomendas digitalizadas faz parte desse mesmo ciclo de modernização.
Implicações para distribuidores e fornecedores de recambios
Para a cadeia de distribuição de peças, a digitalização do ponto de oficina tem consequências diretas. Uma oficina que gere o seu fluxo de trabalho com um DMS integrado tende a planear as suas encomendas de forma mais antecipada, reduz o stock interno e exige maior precisão nos prazos de entrega. Isto pressiona os distribuidores a elevar o seu nível de serviço e a integrar-se, por sua vez, com as ferramentas digitais que os seus clientes já estão a adotar.
A IA aplicada à pós-venda ainda não é uma realidade generalizada no segmento de oficinas independentes, mas os dados do relatório Faconauto indicam que o ritmo de adoção está a acelerar. O horizonte 2030 já não é uma projeção distante para o setor.

