A associação AECA-ITV voltou a pôr o foco num problema que se agrava no transporte profissional: o envelhecimento do parque de carrinhas e o seu impacto. A AECA-ITV alertou para o efeito direto que o envelhecimento das carrinhas em circulação está a ter na segurança rodoviária e na qualidade do ar. Com base em dados da DGT e do Ministério da Indústria e Turismo (MINTUR), a entidade descreve um padrão recorrente: à medida que aumentam a idade e a quilometragem, aumenta também o atraso em ir à inspeção e, em paralelo, sobe o nível de reprovação na ITV.
- O parque de carrinhas atinge uma idade média de 17,8 anos.
- A reprovação passa de 21% dentro do prazo para 62% com mais de um ano de atraso.
- A AECA-ITV fala de um “triângulo de risco”: idade, quilómetros e atraso na inspeção.
1) Um problema que cresce com a última milha
A AECA-ITV enquadra o alerta num cenário em que a carrinha está mais presente do que nunca em contextos urbanos e interurbanos devido ao aumento do e-commerce e da distribuição de última milha. Nesse contexto, a entidade considera particularmente preocupante que a degradação do parque se concentre precisamente num veículo “com presença constante” e que, em muitos casos, acumula jornadas de utilização intensivas.
2) Os dados: mais idade, mais quilómetros e mais atraso
A análise indica que as carrinhas que vão à ITV dentro do prazo apresentam uma idade média de 14,9 anos, enquanto as que acumulam mais de 12 meses de atraso sobem para 16,2 anos. A AECA-ITV acrescenta que, se o parque total está nos 17,8 anos, uma parte das unidades mais antigas tende a não se apresentar dentro do prazo.
A este fator junta-se a quilometragem: entre os 18 e os 25 anos, o percurso acumulado ultrapassa de forma sustentada os 260.000–280.000 km, um indicador de desgaste mecânico e estrutural em veículos sujeitos a uso profissional durante longos períodos.
3) Reprovações: quando o atraso deixa de ser “um esquecimento”
A curva de reprovação é o dado mais contundente do relatório: 21% sem atraso; 24% até seis meses; 42% entre seis e doze; e 62% acima de um ano. A AECA-ITV sublinha que cada patamar aumenta a probabilidade de circular com defeitos graves ou muito graves.
Na mesma linha, a entidade assinala que as carrinhas são o terceiro tipo de veículo em pior estado no parque, por nível de reprovação, com 26%, apenas atrás de camiões e autocarros.
4) Mensagem para o setor: manutenção, prazos e planeamento
Para lá do diagnóstico, a AECA-ITV insiste numa ideia operacional: cumprir prazos. Recomenda realizar a ITV até um mês antes, sem perder validade, para evitar congestionamentos de agenda e reduzir o incentivo de “deixar para mais tarde”.
A associação recorda ainda a componente normativa: circular com a ITV caducada expõe a coimas de 200€ ou 500€, consoante o caso.
Ligação externa (mencionada):
AECA-ITV: https://www.aeca-itv.com/

