O último Relatório de Logística da ANCERA confirma que seis em cada dez vendas no canal de distribuição de peças automóveis são realizadas através de canais digitais ou online. O dado coloca o nível de serviço logístico como o principal critério de escolha de fornecedor para os clientes do sector. A transformação digital do canal de pós-venda deixou de ser uma tendência para se tornar o padrão operativo de referência.
- Vendas digitais: 60% das transações na distribuição de peças são realizadas por canais online, segundo a ANCERA.
- Fator decisivo: o nível de serviço logístico — disponibilidade, prazos e fiabilidade de entrega — supera o preço como critério de seleção de fornecedor.
- Implicação para oficinas: os profissionais que não operam com plataformas digitais de encomenda perdem acesso a condições e disponibilidade que os seus concorrentes já têm.
- Implicação para distribuidores: o canal digital já não é uma opção complementar; é o eixo principal da relação comercial com o cliente.
O canal digital supera já os 60% das vendas de peças
O Relatório de Logística publicado pela ANCERA — a associação nacional de armazenistas de peças de reposição automóvel — reflete que 60% das vendas realizadas no canal de distribuição de peças são feitas através de plataformas digitais ou online. O dado consolida uma tendência que se acelerou de forma sustentada nos últimos anos e que reconfigurou a relação entre distribuidores, oficinas e plataformas de aprovisionamento.
Esta percentagem inclui encomendas realizadas através de portais B2B próprios de distribuidores, marketplaces especializados em peças de reposição e sistemas de encomenda integrados em software de gestão de oficina (DMS). A digitalização do ponto de compra reduziu os tempos de processamento, melhorou a rastreabilidade das encomendas e permitiu aceder a um catálogo significativamente mais alargado sem necessidade de contacto telefónico ou presencial.
O nível de serviço logístico, à frente do preço
O mesmo relatório indica que o nível de serviço logístico se consolidou como o principal critério de escolha de fornecedor para os clientes do canal de distribuição. Este indicador agrega a disponibilidade da peça em stock, a fiabilidade dos prazos de entrega, a gestão de devoluções e a taxa de encomendas servidas corretamente.
O afastamento do preço como variável decisiva tem implicações diretas nas estratégias comerciais dos distribuidores. Um fornecedor com preços ligeiramente superiores mas com elevada disponibilidade e entrega garantida no próprio dia ou no dia seguinte tem vantagem competitiva real face a alternativas mais económicas com menor fiabilidade de serviço.
Para as oficinas, isto significa que a seleção do fornecedor de peças de reposição está a profissionalizar-se. A urgência operativa da oficina — que necessita da peça para concluir uma reparação em curso — faz com que o tempo de entrega e a certeza de disponibilidade valham mais do que o desconto marginal na tarifa.
O que implica para oficinas e distribuidores na prática
A consolidação do canal digital como principal via de compra tem consequências concretas na operativa diária. Para as oficinas que ainda gerem encomendas por telefone ou de forma manual, a diferença de acesso a disponibilidade em tempo real e condições atualizadas alarga-se face às que utilizam plataformas digitais de aprovisionamento.
Para os distribuidores, o relatório da ANCERA confirma que o investimento em capacidade logística e na qualidade do canal digital de encomenda é uma variável estratégica, não um custo secundário. A retenção do cliente no canal de distribuição de peças de reposição depende cada vez mais da experiência de compra e da previsibilidade do serviço do que do catálogo ou do preço de tabela.
O sector avança para um modelo em que a digitalização do processo de compra e a excelência logística são condições necessárias para competir, independentemente da dimensão do operador.

