As correntes para neve são o equipamento de emergência que pode ser a diferença entre passar ou ficar imobilizado numa estrada com neve ou gelo. Em Portugal, são obrigatórias por sinalização em determinados troços de montanha (Serra da Estrela, Gerês) e a sua instalação correcta demora menos de 10 minutos quando se conhece o procedimento. Este guia cobre os 3 passos de instalação, os tipos de correntes disponíveis, a velocidade máxima permitida e os erros mais comuns que causam avaria das correntes durante a condução.
- Em que rodas instalar: as correntes instalam-se sempre nas rodas de tracção — nas rodas dianteiras num veículo de tracção dianteira (TD), nas traseiras num veículo de tracção traseira (TT), nas quatro rodas num 4×4 se as condições o exigirem. Instalar correntes nas rodas erradas é ineficaz e pode danificar a suspensão.
- Velocidade máxima com correntes: 50 km/h é o limite máximo universal para circular com correntes para neve metálicas. Acima desta velocidade, as correntes podem partir, danificar as caixas de roda, o paralama e os componentes de suspensão. As correntes de cabo e as meias-correntes (sock/meias de neve) podem ter limites inferiores — verificar sempre as especificações do fabricante.
- Compatibilidade com o veículo: verificar no manual do proprietário se o fabricante permite o uso de correntes e qual o espaço disponível entre o pneu e o paralama. Alguns veículos com pneus de perfil muito baixo ou com pouco espaço de roda não têm espaço para correntes metálicas convencionais — nestes casos, as meias de neve (snow socks) ou correntes de cabo são a alternativa.
Tipos de correntes para neve: comparação
| Tipo | Material | Tração | Facilidade de instalação | Velocidade máxima | Melhor para |
|---|---|---|---|---|---|
| Correntes metálicas clássicas (rede) | Elos de aço temperado com tensionador automático ou manual | Muito alta — maior tracção em neve profunda e gelo duro | Moderada — requer posicionamento cuidado; 5–10 min para utilizador com prática | 50 km/h | Neve profunda, gelo, montanha; longa duração |
| Correntes de cabo (ladder chain) | Cabos de aço torcido em forma de escada; mais flexíveis que rede | Alta em neve; ligeiramente inferior em gelo puro | Mais fácil que rede — instalação em 3–5 min; alguns modelos autotensionantes | 50 km/h | Uso misto neve/gelo; veículos com pouco espaço de roda |
| Correntes tipo aranha (spider chain) | Braços radiais de aço que se encaixam no centro da jante; instalam-se com o pneu no chão | Alta e uniforme — distribuição radial da tracção | Muito fácil — instalação em 1–2 min sem mover o veículo; algumas instalam sem sair do carro | 50 km/h | Utilizadores que querem rapidez de instalação; veículos com ESP que pode interferir com outras correntes |
| Meias de neve (snow socks / AutoSock) | Tecido de alta aderência (poliéster) que envolve o pneu | Moderada — eficaz em neve leve e gelo fino; inferior em neve profunda | Muito fácil — instalam como uma meia sobre o pneu; 2–3 min | 50 km/h (algumas marcas indicam 30–40 km/h) | Veículos com muito pouco espaço de roda (baixo perfil, SUVs compactos); emergência urbana; homologadas como alternativa a correntes em vários países |
Instalação em 3 passos: procedimento completo
PASSO 1 — Posicionar a corrente à frente do pneu
Estacionar o veículo em local seguro, preferencialmente fora da via, em terreno plano. Aplicar o travão de mão. Desdobrar completamente a corrente no chão à frente do pneu a calçar, verificando que não há elos torcidos ou entrelaçados — uma corrente mal estendida vai ficar assimétrica sobre o pneu e pode partir ao dar gás. Colocar a corrente em forma de “U” invertido, com a parte superior (que ficará sobre a banda de rodagem) centrada à frente do pneu e as duas extremidades laterais estendidas para os lados.
PASSO 2 — Avançar o veículo e fechar a corrente
Avançar o veículo lentamente (1–2 metros) até o pneu ficar centrado sobre a corrente. Ligar o motor e encaixar a 1.ª marcha sem largar completamente a embraiagem — apenas mover o veículo o mínimo para o pneu assentar sobre a corrente. Puxar as duas extremidades laterais da corrente para trás do pneu e unir o fecho traseiro (habitualmente um fecho de mosquetão ou gancho). O conector traseiro deve ficar na parte interior do pneu (entre o pneu e a carroçaria), não no exterior.
PASSO 3 — Tensionar e verificar
Fechar o tensionador ou a corrente de tensionamento lateral, eliminando qualquer folga. A corrente deve estar firme sobre o pneu — não deve ser possível puxá-la mais de 2–3 cm com a mão. Conduzir lentamente os primeiros 30–50 metros, parar, e re-tensionar: as correntes assentam com o primeiro movimento e ficam geralmente mais soltas — este segundo ajuste é obrigatório para evitar que a corrente se solte em circulação.
Erros mais comuns (e como evitar)
| Erro | Consequência | Como evitar |
|---|---|---|
| Não re-tensionar após os primeiros 50 metros | A corrente solta-se parcialmente e pode prender no paralama ou na suspensão, causando danos graves | Parar sempre após 50 m e re-tensionar; repetir se necessário |
| Instalar nas rodas não motrizes | Sem efeito na tracção; as correntes nas rodas “mortas” apenas aumentam o peso e podem danificar a suspensão em curvas | Verificar no manual do veículo quais as rodas de tracção e instalar apenas nessas |
| Circular acima de 50 km/h | Os elos podem partir por fadiga; os fragmentos danificam as caixas de roda, paralamas e componentes de suspensão | Nunca exceder 50 km/h; usar velocidades ainda mais baixas em neve profunda ou curvas |
| Usar correntes em estrada seca ou molhada sem neve | Desgaste muito rápido da corrente e dos pneus; perda de controlo por tração irregular | Retirar as correntes assim que o troço com neve terminar; as correntes são para neve/gelo, não para asfalto normal |
Perguntas frequentes
As correntes para neve são obrigatórias em Portugal?
Em Portugal não existe obrigatoriedade geral de transportar correntes no veículo. No entanto, em determinados troços de montanha (principalmente na EN339 na Serra da Estrela e em alguns acessos ao Gerês) podem ser instalados sinais de sinalização vertical que obrigam à utilização de correntes ou pneus de inverno para circular. A não observância desta sinalização é uma infracção ao Código da Estrada. Em Espanha (país de onde muitos condutores portugueses viajam no Inverno), a obrigatoriedade de transportar correntes ou pneus de inverno varia por região — Andorra, por exemplo, exige-os de Outubro a Maio.
As meias de neve (AutoSock) são aceites como alternativa às correntes na IPO e em Portugal?
Em Portugal, as meias de neve de marcas homologadas (AutoSock, Isse, etc.) são aceites como alternativa às correntes metálicas nos mesmos troços onde estas são obrigadas, desde que a marca tenha a marcação de homologação correcta. Não são verificadas na IPO (a IPO não testa equipamento de emergência). Para viagens internacionais, verificar sempre a legislação do país de destino — a aceitação das meias de neve varia na Europa.










